Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Ah, quanta melancolia!

Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidao!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inutil e fria
Dentro do meu coracao!
Que angustia desesperada!
Que magoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que e tudo assim.

Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu

Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

 

by Fernando Pessoa

Foi... Com olhos de ver às 11:36
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Balada de Lisboa

Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Esta é a cidade onde chegas
Nas manhãs de tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém


by Manuel Alegre, in Babilónia

 

Foi... Com olhos de ver às 17:22
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

 

by Fernando Pessoa, in Cancioneiro

 

Foi... Com olhos de ver às 10:08
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Doze Palavras

Doi-me o peito... SILÊNCIO!
Onde escondi esse meu  MEDO,
Zénite de uma PAIXÃO escura,
Estátua negra da minha VONTADE?
 
Procuro num SORRISO esquecido
A chave demente da VITÓRIA,
LIBERDADE com saber de amargura,
AMOR com cheiro a memória...
Vasculho a MÁGOA que descansa,
Rendida num cansaço de DOÇURA.
Acho a PIEDADE num recanto
Sombra de LUTA nunca perdida!

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Foi... Com olhos de ver às 16:52
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